segunda-feira, 14 de julho de 2008

Kiara- parte 13 por Camila Bernardini


Cap. 13



Phauno pediu que Thorn o esperasse um pouco, caminhando até a praia. Na areia fez o desenho de um pentagrama, deitando-se no meio do circulo, de uma forma que seus braços, pernas e cabeça representassem cada uma das pontas da estrela. Invocou seu demônio pessoal, e o visualizou em sua mente.

- Quero que vá com uma legião, atrás de três pessoas para mim.

- Que pessoas?

- Os três outros guardiões de Kiara. Quero que destrua o vampiro, os outros não.

- Seu desejo será uma ordem.

O demônio então se materializou, seguindo em direção as águas do mar, onde pediu ajuda de Leviatã e depois de Abraxas, que é o demônio que rege a cidade de São Paulo. Os três juntos, com a legião de pequenos diabretes que o acompanhavam seguiram em direção a pracinha, onde ainda permaneciam os outros três guardiões.

Jasmine sentia-se mal, disse aos seus companheiros, que uma energia muito negativa vinha velozmente em direção a eles.

- E Thorn, está sozinha!- Exclamou Simona

- Ela está bem, não se preocupe, não sinto nada de diferente com ela, apenas Phauno a acompanha.

Umberto sentia no ar também, que algo estava mudando. Ficou pensativo, decidindo-se a continuar com sua forma humana, enquanto não sabia realmente o que enfrentariam. Um vento gelado começou a surgir entre eles, como se estivessem fazendo um redemoinho. Não conseguiam enxergar mais nada. Tudo estava escuro, e um zumbido, um barulho ensurdecedor em volta.

Jasmine assustada, apenas sentia que a presença de Simona já não estava mais ali, e que Umberto continuava do lado dela, tão confuso quanto. Aos poucos o vento e o barulho foram sumindo.

Os dois olharam ao redor, tudo continuava igual, parecia que nada havia acontecido. Mas Simona havia sumido, e a jovem bruxa não conseguia senti-lo de forma alguma. Preocupou-se, mas não sabia o que fazer. Pensou em invocar Sillos, mas uma vez e perguntar á ele, mas não queria arriscar ser premiada com uma das invenções do pequeno vampiro astral. Sentou no banco e chorou, pela primeira vez não sabia o que fazer e seus conhecimentos talvez não pudessem trazer o amado de sua amiga de volta. Não sentia nada, será que ele estava morto? Não entendia o que estava acontecendo, e quanto mais tentava entender mais a imagem de Phauno entrava na sua mente. O que o ex mestre de Thorn, teria a ver com tudo aquilo?

Umberto vendo Jasmine em pânico, também se desesperou. Ela sempre era a que mantinha mais equilíbrio entre as coisas. Ele a abraçou, e chorou baixinho, com medo que ela pudesse ver as lágrimas caírem de seus olhos. Sentia-se triste em também não poder fazer nada, e preocupado com a reação de Thorn.

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Simona abriu os olhos, não sabia onde estava. Lembrava-se vagamente do redemoinho e do barulho, antes de perder os sentidos. Agora, não sabia onde estava, e não tinha ninguém que pudesse socorrê-lo. Tentou entrar na mente de Thorn e pedir ajuda, mas ela havia bloqueado sua mente. Por quê? A fada tinha ido para longe dos outros guardiões, deveria ter deixado a mente aberta, caso ocorresse alguma coisa. Olhou ao redor para ver se reconhecia o lugar. Só havia escuridão, com sua visão vampiresca percebeu que algo o observava em outro canto do lugar onde estava. Fingiu que não viu. Tentou mover as mãos e levantar. Sim, agora que havia percebido que estava deitado. Não conseguiu se mover, e ao tentar se movimentar sentiu dor em seus pulsos. Mesma dor que a prata ocasionava. Estava preso, talvez por algemas de prata. Mais uma armadilha de Jade? Entrou na mente da bruxa, mas logo sentiu de onde vinha a cilada. Phauno. Mas por quê?

Não sabia como escaparia dali, nada vinha a sua mente, atordoado e surpreso. Não conseguia de nenhuma forma, entrar na mente de nenhum dos guardiões. A única pessoa que parecia ter passagem livre era Jade. Teria que pedir ajuda a ela, mas será que a feiticeira o ajudaria? Mesmo ele sendo um inimigo?

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Jade estava deitada em sua cama, quando sentiu Simona por perto. Sabia que ele não estaria em seu castelo, já que estava ocupado de mais, tentando recuperar o talismã, e devolver os poderes a sua deusa. Decidiu deixar que ele penetrasse em sua mente, só por curiosidade, ver o que o vampiro estava tramando. Surpreendeu-se ao ver que ele pedia ajuda. Deu altas gargalhadas. Sim, ainda amava Simona, mas foi ele que decidiu ficar com aquela fada. Foi ele quem esqueceu sua verdadeira natureza. Ele que se virasse. Sentiu perigo, perigo real. Preocupou-se, mas não daria o braço a torcer.

Só por precaução, tentou descobrir onde o vampiro estava. Suas visões mostravam que ele estava na fortaleza de Abraxas. Não, poderia ser. Chorou por Simona, sabia que só um anjo, alguém de força muito pura e de muita luz poderia salvá-lo de lá. A única que talvez conseguisse seria aquela maldita fada. Jade, ainda estava sem saber o que fazer, pensou em procurar Thorn alertá-la sobre o perigo. Mas se a fada o salvasse, mais uma vez os dois estariam juntos. Pensou melhor e decidiu que seria melhor que Simona morresse, seria menos um para tentar acabar com seus planos. E não teria mais que vê-lo nos braços de outra.

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Enquanto Thorn via de longe, seu antigo mestre, realizando um ritual com o pentagrama, sentia seu coração apertado. Quase chorou de angústia, sem saber o por que. Tudo que queria era voltar aos braços de Simona e ao conforto de ter seus amigos por perto.

Phauno, terminado o ritual se aproximou da fada, percebeu que ela estava aflita e que não iria conseguir por muito mais tempo prendê-la com ele. Precisava apenas de um sinal de que seu pedido já tinha sido atendido. Sabia que seria rápido, por estarem diante de uma das entidades demoníacas de muito poder Abraxas.

-Minha querida, parece que está cada vez mais calada.

- Acho que tem algo de errado acontecendo com os outros.

- Mas por que acha isso?

- Não sei bem, não estou sentindo a presença de Simona em lugar nenhum.

- E deveria sentir?

- Sim, desde que trocamos sangue, eu sinto tudo que ele sente, e sei sempre onde está.

Era essa a resposta para sua dúvida. Afinal, os demônios já haviam agido e mais rápido do que ele esperava. Então com sua falsa naturalidade perguntou:

- Você quer voltar aos seus amigos? Podemos deixar o passeio a ruínas para outro dia.

- Sim quero, se não se importar eu vou voando, para ir mais rápido.

- Não se preocupe.



Thorn então voou com toda a velocidade que pode, de volta ao centro da cidade. Encontrou Umberto e Jasmine no mesmo lugar, só não viu Simona. Ainda do alto percebia que os dois guardiões pareciam desesperados. Pousou ao lado de Jasmine:

- Onde está Simona? O que aconteceu? Por que estão com essa cara de choro?

- Uma pergunta de cada vez Thorn- Umberto respondeu.

- Querida... Simona desapareceu.

- Como assim, desapareceu Mine?

- Não sei, estávamos aqui, quando todos sentiram uma energia ruim vindo em nossas direções, começou a ventar, não vimos mais nada. Quando tudo voltou ao normal, ele já havia sumido.

- Vocês não fazem idéia do que aconteceu?

- Mine acha que foi Phauno que fez algo.

Thorn se lembrou do ritual do pentagrama, o qual tinha certeza que ele estava invocando outras entidades. Mesmo assim não via motivos para que, seu mestre iria fazer uma coisa daquelas.

- Ele, mas por quê?

- Não sei Thorn, apenas sinto.

- Não Mine, acho que deve ter sido Jade. Mas para onde ela levou Simona dessa vez?

- Você não consegue senti-lo?

- Não...Não consigo entender...

Um comentário:

carlos disse...

TRAIDOR; TRAIDOR. SEMPRE TEM QUE TER UM. senão o contexto desaparece