terça-feira, 14 de abril de 2009

Os Guardiões de Kiara parte 22 – por Adriano Siqueira



O silêncio dominava toda caverna. Havia apenas o barulho da água descendo pelas Tubulares de Calcite que tinha cor branca... Elas são os precursores da Estalactites. Não era de madeira mas se alguma delas caíssem em um vampiro e acertasse o coração seria fatal para humanos e vampiros. Algumas destas tubulares estavam soltas e qualquer movimento brusco nas paredes da caverna, poderiam desabar.
Caminhando com cuidado Thorn encontra o local onde está o livro das sombras.
Quando ela abre o livro os anéis voam das suas mãos e se encaixam na capa do livro, fazendo com que o livro comece a rodar e flutuar... algumas das formas tubulares começam a cair. Thorn fica observando tudo ao seu redor com receio.

Fora da caverna, Jasmine, Simona e Umberto caminham e conversam amigavelmente.
- Eu odeio lugares úmidos e sombrios. – Dizia Umberto
- Quer voltar pra casa lobo mau? Falava Simona olhando para a entrada da caverna.
- Parem de reclamar! –Alertava Jasmine. - Thorn deve estar lá dentro sozinha precisando de ajuda.
Umberto respira fundo cheira tudo a sua volta e comenta:
- Sozinha ela não está.
Simona diz em voz alta.
- Eu cansei de esperar.
Antes que algum deles dissessem algo. Simona voa para dentro da caverna.
Merlin estava levando Phauno para fora da caverna e sentiu uma presença. Ele joga phauno no chão e se abaixa por tras de umas pedras. Merlin vê Simona entrar na caverna.
Merlin dá um soco no Phauno, que desmaia, ele se levanta e diz:
- Tenho contas para acertar com este vampiro.
Logo depois de dez metros dentro da caverna Simona seu nome é chamado. Ele olha para a entrada da caverna e encontra Merlin. Eles se olham por alguns segundos. Simona olha bem nos olhos de Merlin. E dialoga com ira.
- Divertiu-se muito com a Thorn, Merlin?
Merlin olha para Simona e responde com ironia.
- Não o tanto que eu queria. Mesmo hipnotizada ela ainda pensava em você... A propósito não tínhamos combinado de que você não entraria mais em nossos domínios?
- Estou apenas de passagem. Vim resgatá-la.
- A Fada-Vampira é nossa! Chegou tarde Simona!
- Nunca! Thorn jamais servirá você!
Simona voa em direção a Merlin agarra o seu pescoço e o empurra para a parede, algumas tubulares começam a cair e Merlin ri.
- Simona se você bater na parede novamente nenhum de nós sairá vivo daqui... Nem a Thorn. Agora deixe-me ir e talvez eu não comandarei que os Godos aniquilem os seus amigos. Alias se eu contar que você voltou. Eles irão matá-los de qualquer maneira. Pois aqui você é considerado traidor dos vampiros.
- Eu não traí ninguém! Apenas me recusei a ficar com vampiros que se acham deuses.
- Você seria nosso chefe de batalhas!
- Para que? Dominarem o mundo?
- Alguém tem que reinar neste universo!
Um vulto aparece em uma das passagens da caverna... Era Diego, e estava impressionado.
- Simona?
- Não é possível que todos os vampiros daqui saibam quem sou!
- Um traidor não se esquece.
- Olha! Eu não traí ninguém! Apenas queria outra vida!
Merlin aproveita a discussão de Diego e Simona e se afasta.
- Eu não vou permitir que entre em nossas terras Simona! É proibido! Você prometeu! - Dizia Diego.
- Eu só vim buscar a Thorn!
- Então você conhece a fada-vampira? a futura rainha dos godos?
- O que? – Rainha o que? – Fala Diego! O que pretendem com ela?
Merlin anda cinco passos de Simona começa a rir.
- Sim Simona! Ela será a minha rainha.... Reinaríamos neste mundo. Seremos imbatíveis!
- Chega!
Simona bate o pé várias vezes no chão causando um pequeno terremoto... Diego empurra Simona para próximo da parede para protegê-lo... As Tubulares de Calcite e algumas Estalactites começam a cair uma atrás da outra. Merlin não tem como se proteger e é massacrado pelas estalactites.
Diego segura Simona e diz:
- Olhe o que fez Simona! Você matou nosso mentor!
- Foi ele que pediu! Acha justo que uma pessoa como a Thorn ficasse sem memória? Para ele a usar como quisesse? Era assim que você honra os Godos Diego? Sua família?
Diego larga o Simona e abaixa a cabeça e responde:
- Somos um povo esquecido, mas honrado. Merlin abusou do seu poder.
Simona coloca a mão no ombro de Diego e diz:
- Você pode mostrar para eles o caminho certo! Você é o próximo a ser o rei. Vocês são os vampiros milenares. Existe muito para aprender lá fora. Passe isso para seu povo... Mostre que vocês ainda têm muito a aprender e a ensinar. Os guardiões de Kiara ajudarão no que precisarem.
Diego caminha para a saída mas antes ele se volta para Simona, aponta uma outra passagem e conclui:
- Thorn está no final deste caminho. Tenha cuidado com as Tubulares, elas são mais sensíveis de cair... Um dia Simona. Iremos tomar muitos vinhos juntos ou iremos duelar pelo meu reino... Mas uma coisa é certa... Iremos nos ver novamente.
- Tenho certeza que sim Diego. Como tenho certeza que será um bom rei.

Simona voa para encontrar Thorn.

no próximo capitulo... um dramático e emocionante encontro.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Os guardiões de kiara parte 21- por Camila Bernardini




Thorn e Juliano afastavam-se cada vez mais por entre a trilha. No caminho o cenário era belo para ser apreciado a luz do sol, coisa que nenhum dos dois poderiam mais fazer. As flores cobriam todas as árvores, eram pequenas e de várias cores e tamanhos.
- Aonde vamos?
- Quando chegou aqui em carpen, Merlin leu seus pensamentos e sabia onde queria vir. Talvez estando lá seja mais fácil para que suas lembranças voltem.
Mais alguns minutos pararam de frente para uma enorme caverna. Sua entrada estava coberta de plantas tornando-a quase invisível. Juliano seguiu para dentro. Não havia luz os iluminando ali. Thorn conseguia ouvir o barulho de água caindo, deduziu que a outra entrada poderia ser coberta por uma cachoeira.
- Juliano deu os anéis e pediu que ela os segurasse.
Thor os segurou firme na mão. Sabia que naqueles dois pequenos objetos estava a resposta do seu passado. Juliano encostou a mão em sua testa e disse:
-Irá doer um pouco, me desculpe.
Antes que ela pudesse responder sentiu as presas do vampiro perfurar seu jugular. A dor era intensa. Mas não era uma dor comum, era prazerosa. Diferente. A mesma que sentia quando Simona a mordia. Simona... A mente de Thorn estava confusa cheia de cenas desconexas vindo e voltando. A espada que ganhará de aniversário, Jade, o castelo de Abraxas, o passeio na praia com Phauno. As malekes. Kiara. O talismã. À noite na cabana com Simona, a amizade forte com Jasmine. Thorn então desmaiou. Permaneceu assim por algum tempo, até que recobrou os sentidos. Ao abrir os olhos viu Juliano a olhando.
- Eu me lembrei de tudo.
- Lembrou do que veio buscar aqui?
- O livro das sombras para saber para que servem os anéis.
- Thorn o livro está dentro dessa caverna. E somos nós os Godos que os protegemos. Peço que o veja, mas não o retire daqui como pretendia.
- Mas vocês...?
- Por isso as lendas terríveis a nosso respeito. Para que as pessoas temam e não busquem o conhecimento que estamos a anos protegendo.
- Prometo que deixarei aqui!
- Não se depender de mim- Phauno achou um jeito de fugir, enquanto jasmine tentava apaziguar mais uma discussão de Umberto e Simona.
- O que está fazendo aqui Phauno?
- Quero os anéis e o livro!
- Pensei que você havia mudado.
- Minha querida eu tentei... Mas o poder é um convite em aberto que me faz esquecer que tenho que ser bom.
- Você é um monstro!
- Sou menos que você que agora é uma vampira.
- Não irei te dar os anéis.
- Terei que te matar então!
Juliano disse:
- Antes de matá-la terá que matar a mim.
- Será um prazer.
Phauno com uma agilidade fora do comum retirou da mochila que carregava nas costas a retirou a espada de Thorn desferindo um gole certeiro no pescoço do vampiro.
- Nãooo!
Era tarde, o corpo e a cabeça de Juliano estavam separados e o vampiro tombava morto ao chão.
Lágrimas vieram aos olhos da fada- vampira.
- Onde conseguiu minha espada?
- Aprenda uma lição nunca deixe suas coisas jogadas por aí. Achei atrás de uma árvore. Vai me dar os anéis e os livros?
- Não sem lutar.
- Não quero machucá-la.
Thorn correu para o fundo da caverna. Quanto mais escuro tivesse, mas vantagem teria sobre Phauno, que tinha apenas a visão de um humano. Tentava por um plano em mente para conseguir derrotá-lo. Colou cada um dos anéis em uma das mãos nos dedos indicadores. Fechou os olhos para pensar e ouviu uma voz. Parecia a voz de um velho:
- Tome a espada dele e o mate.
A fada- vampira se assustou com a voz. Não queria matar Phauno, apenas imobilizá-lo. Escutou quando ele se aproximou estando há apenas alguns passos de distância. Surpreendeu, pois uma forte luz azul iluminou o local. A luz vinha dela mesma e apenas não conseguia controlar.
- Oras só! Está ai então? O que pretende Thorn? Destruir-me com essa luz?
Ela ficou imóvel, muda, incapaz de respondê-lo. Viu quando Phauno levantou mais uma vez a espada e preparava-se para golpeá-la. A espada, porém escorregou das mãos deles ferindo-há apenas um pouco no braço. Thorn usou de sua agilidade para alcançar a espada. Segurou-a firme enquanto a voz falava novamente com ela:
- Mate-o.
Sabia que seria incapaz de matá-lo. Viu que ele vinha mais uma vez em sua direção. Notou seus olhos que brilhavam intensamente mais do que o costume. Sentiu uma forte repulsa.
- Thorn, Mestre!
Reconheceu a voz de Merlin.
- Aqui!
Phauno a esmurrou, derrubando-a ao chão e recuperando posse da espada. Não foi rápido o bastante para que Merlin não visse a cena.
- O que está acontecendo aqui? Cadê o Juliano?
- Phauno o matou e quer me matar! Fuja daqui, antes que ele tenta matá-lo também.
- Como ousa matar nosso Mestre em nosso território?
Phauno tentou em vão golpeá-lo. Merlin tinha bons reflexos e se desviou. Arrancando a espada da mão do humano insolente que acabará de dar a si mesmo sua sentença de morte. Merlin o segurou com força e gritou:
- Vou levá-lo aos outros do clã. Eles decidiram o que fazer! Thorn precisa de ajuda?
- Daqui a instantes desço!
- Olha quando a vi pela primeira vez eu sabia o que procurava. Vou deixá-la sozinha. Espero que encontre o que deseja e saia! Leve seus amigos daqui, antes que eu mate todos!
Merlin correu desaparecendo. Thorn ficou sozinha na caverna. Sua pele arrepiou. Não tinha já tanta certeza se devia ler ou não o livro, mesmo assim decidiu procurá-lo. Tentaria ser o mais breve possível. Os guardiões de kiara já haviam perdido tempo de mais. Precisavam recuperar o talismã e mais do que nunca preservar os segredos do mundo paralelo em que viviam.